Alann Deciel Logo
Voltar ao blog

17 de outubro de 2026 · 7 min de leitura · Escolha

Como escolher um tatuador em Curitiba para um projeto de fôlego

Um projeto autoral de grande porte é uma decisão de longo prazo. Entenda o que considerar ao escolher um tatuador em Curitiba — além do preço e do portfólio.

Como escolher um tatuador em Curitiba para um projeto de fôlego

A escolha do tatuador é, em um projeto de grande porte, uma decisão tão importante quanto a escolha do desenho. É uma frase que repito no estúdio, no Alto da XV, porque costuma surpreender quem está acostumado a escolher um artista pelo preço de uma peça pequena. Um fechamento de costas, uma manga, um projeto autoral que vai durar décadas não é um serviço — é uma relação de longo prazo. E escolher bem é o que decide se essa relação vai dar certo.

O primeiro ponto é o portfólio, mas não do jeito que a maioria olha. Não se trata de contar quantas fotos bonitas o artista tem no Instagram — trata-se de entender se aquele trabalho conversa com o que você quer. Um artista que faz realismo fino tem um portfólio que mostra retratos; um que trabalha com blackwork mostra composições de preto e contraste; um que desenvolve um estilo autoral, como o litotattoo, mostra peças com uma assinatura reconhecível. Olhar o portfólio com essa régua é diferente de olhar com a régua do "gostei da foto". É a régua do "este artista fala a minha linguagem".

Há também a questão da consistência. Um portfólio confiável mostra peças em diferentes estágios de cicatrização, não só fotos frescas de tatuagem recém-feita. A tinta que vejo na primeira semana não é a tinta que vai ficar — ela é uma prévia. Um artista que mostra peças cicatrizadas, com meses ou anos, está mostrando como seu trabalho envelhece. Um artista que só mostra fotos frescas está escondendo uma parte importante do trabalho. Em um projeto de décadas, essa diferença é decisiva.

O segundo ponto é a consultoria. Um artista que recebe um projeto de grande porte sem uma conversa prévia está, na maioria dos casos, trabalhando de forma apressada. Um fechamento não se escolhe em catálogo; um surrealismo não se desenha sem entender o conceito; um retrato realista não se tatua sem avaliar a referência. A presença de uma consultoria — uma conversa dedicada a entender o que cada pessoa carrega, o que quer tatuar e o que o corpo comporta — é um sinal de que o artista leva o trabalho a sério. A ausência dela é um sinal de que o prazo pesa mais que o resultado.

O terceiro ponto é o atendimento privativo. Em um projeto de grande porte, o ambiente é parte do método. Uma sala cheia, com clientes esperando, prazos apertados e luz e acústica sem controle não é um ambiente onde se tatua um fechamento de costas ou uma manga. Um estúdio que trabalha com uma pessoa por vez, com tempo para respeitar a pele, é um estúdio que respeita o projeto. É uma escolha que custa um pouco mais, talvez, e que devolve, em troca, um resultado que ler bem por décadas.

A questão do tempo também é parte da escolha. Um artista que promete terminar uma manga em duas semanas está, quase sempre, prometendo algo que a pele não aguenta. Um artista que diz, com clareza, que o projeto vai levar meses e que cada sessão precisa respeitar o intervalo de cicatrização está sendo honesto. Honesticidade em um projeto de longa duração é o que separa um resultado impecável de um que envelhece mal. E é por isso que a escolha do artista passa pela disposição de ouvir "isso vai levar mais tempo do que você imaginava".

Há ainda a questão do aftercare. Um artista que orienta o cuidado pós-sessão, que fala sobre proteção solar, que mantém contato depois do projeto para avaliar a cicatrização e, quando necessário, fazer um retoque pontual, é um artista que entende o trabalho como uma relação contínua. Um que entrega a peça e some é um que vê o trabalho como um serviço. Em um projeto de décadas, essa diferença é a diferença entre uma tatuagem que envelhece com elegância e uma que envelhece pela metade.

A especialização também conta. Um tatuador que faz de tudo um pouco pode ser versátil; um que se dedica a poucas linguagens — realismo, blackwork, litotattoo, surrealismo — costuma, em cada uma delas, entregar um trabalho mais profundo. A profundidade vem da repetição: quanto mais um artista tatua um estilo, mais entende as variáveis que ele pede, da anatomia à cicatrização ao envelhecimento. Em um projeto de fôlego, essa profundidade é o que sustenta a peça por décadas.

Por último, há uma dimensão que não é técnica, mas que é decisiva: a confiança. Um projeto de grande porte é uma relação de meses, às vezes mais de um ano. É muitas horas de sessão, é pele exposta, é dor, é conversa, é voltar e voltar. Se o cliente confia no artista, o projeto flui; se não confia, cada sessão vira um peso. Por isso a escolha do tatuador passa por conversar antes, sentir como o artista escuta, entender se as perguntas que ele faz mostram interesse pelo projeto ou só pelo que vai ser cobrado. A confiança não se compra — se constrói.

Em Curitiba, no Alto da XV, recebo em estúdio privativo, e cada projeto é conduzido com o tempo que ele pede. Meu trabalho se concentra em fechamentos e projetos autorais de grande porte, em quatro linguagens que estudo há anos: realismo, surrealismo, litotattoo e blackwork. Se você está considerando um projeto de fôlego, o caminho começa com uma conversa: traga a ideia, mostre a região do corpo que você considera e deixe que avaliemos juntos se o conceito e a pele conversam. É assim que nasce uma tatuagem que vai durar décadas — não um verão.

Há uma pergunta que costumo fazer para quem está escolhendo um tatuador e que, quase sempre, revela mais do que qualquer portfólio: pergunto quanto tempo a pessoa está disposta a esperar. Um projeto de grande porte não se faz às pressas, e o artista certo para um fechamento de costas não é, necessariamente, o artista certo para uma peça pequena de fim de semana. A disposição de esperar — de respeitar o tempo que a pele pede, de voltar para as sessões, de investir meses em uma composição — é parte do que define se o projeto vai chegar ao fim do jeito que foi imaginado. Um artista que aceita encurtar esse tempo para agradar está, quase sempre, comprometendo o resultado. Um que diz com clareza quanto tempo vai levar e por quê está sendo honesto — e honestidade, em uma relação de décadas, vale mais do que qualquer promessa de prazo. Por isso, ao escolher, vale perguntar não só sobre preço e desenho, mas sobre tempo. A resposta diz muito sobre o que vem pela frente.

Com Alann Deciel, cada projeto autoral é concebido individualmente em consultoria prévia — garantindo harmonia com a anatomia do corpo e longevidade artística. Atendimento privativo no Alto da XV, Curitiba.

Vamos transformar sua ideia em arte?

FAÇA UM ORÇAMENTO

FAÇA UM ORÇAMENTO